Da fusão nasce o Grupo Desportivo de Sesimbra em 1947

27/07/1947 - 10/08/1947

As Assembleias dos três clubes, em sua magna reunião, votaram, em princípio, efectuar-se a fusão.
"O problema da fusão dos clubs desportivos existentes em Sesimbra tem sido, sem dúvida, um assunto que, nas últimas semanas, mais tem preocupado a opinião pública.
O tema generalizou-se, e uma grande maioria defende a fusão com interesse e entusiasmo.
Temos, também, ouvido opiniões contrárias (...)
Há quem mantenha efusivas saudades dos tempos áureos do seu União. Há também quem recorde os sacrifícios feitos para manter o Vitória e não esqueça o mais novo club, Ases.
Mas os que têm arreigadas essas recordações reconhecem também que com a existência de três clubs não é actualmente possível realizar-se bom desporto em Sesimbra (...)
No passado domingo - 27 de Julho -, em conformidade com a reunião anteriormente efectuada na Câmara Municipal, entre a Comissão Organizadora e membros das direcções dos clubs, reuniu a Assembleia Geral do Ases, e, segundo nos informaram, resolveu, por unanimidade, dar o seu incondicional apoio a favor da fusão.
Para o mesmo fim, reuniu, no Salão Recreio Popular, a Assembleia Geral do União, em segunda convocação.
Assumiu a presidência o sr. António de Sousa Carvalho, Presidente da Assembleia do club, que se fez secretariar pelos srs. Pedro Batista Cardoso e Isidro Pinto.
Aberta a sessão, convidou para tomar lugar na mesa os srs. Lucindo Cagica Pinto, Vice-Presidente do União; Manuel Farinha Nobre, em representação do sr. Presidente da Câmara; e o nosso jornal, que foi representado pelo nosso redactor principal.
Lida uma exposição dirigida à Assembleia pela Comissão Organizadora, foi o assunto posto à discussão, tendo usado da palavra os srs. Ponciano dos Santos, Américo Polido, alferes Joaquim Pinto Braz, Fernando Reis Marques e Geremias Pinto, tendo todos os oradores pretendido esclarecer a assistência sobre o problema da fusão, chegando-se a propor - e foi aprovado - que a Assembleia se devia manifestar, em princípio, pois não se conheciam ainda as bases de que era feita a fusão.
Procedendo-se à votação, por escrutínio secreto, verificou-se que deram entrada na urna 102 listas, sendo 95 a favor da fusão, 6 contra e uma lista em branco.
No dia 29 de Julho, em segunda convocação, reuniu a Assembleia Geral do Vitória, sob a presidência do sr. Cristino Cagica Pinto, secretariado pelos srs. Jorge Correia e Batista Amigo, vendo-se também na mesa o sr. dr. António da Costa Marques, Presidente da Câmara, e o sr. Abel Pereira Lucas.
Registaram-se manifestações prò e contra, e, por fim, procedeu-se à votação, que deu o resultado seguinte: listas entradas, 91; votos a favor, 79; votos contra, 11, e uma lista em branco.
Pelas indicações das massas associativas, é de parecer que a fusão se realiza, para dar lugar à organização de um forte agrupamento desportivo.
Foram eleitas comissões representativas dos clubs, para, conjuntamente, se estudar e apreciar as bases da fusão." ("O Cezimbrense", n.º 1.097, 3.8.1947)

"A fusão dos três clubes desportivos de Sesimbra foi apreciada, na passada segunda-feira - 4 de Agosto -, na Assembleia Geral do União, depois de lida e posta à discussão as bases fusionistas.
Os srs. Adelino José de Carvalho, Américo Polido, José Castanho, Mário Varandas, Lucindo cagica Pinto r Joaquim Norberto versaram o ponto: se o campo do Vitória passaria para o novo organismo.
Manifestaram os seus receios, pedindo até esclarecimentos ao Presidente da Assembleia Geral.
O sr. Cândido Farinha, na qualidade de representante da Comissão Organizadora, presta declarações um pouco satisfatórias, parecendo-lhe que o actual arrendatário do campo, sr. Rafael Campos Soromenho, certamente cederia o referido campo.
Falaram ainda sobre o assunto os srs. Deocleciano Rodrigues, Jeremias Pinto, Marcos de Carvalho, Antero de Figueiredo e Ponciano dos Santos, que manifestaram opiniões adversas, isto é, votar as bases, sem a preocupação da transferência do campo para o futuro organismo desportivo.
José Augusto de Matos pede a palavra e disse ter votado contra a fusão, mas, desde que a Assembleia, por sua maioria, votou a favor, entende que não se deve estar a perder tempo com o assunto (campo do Vitória) nem com outras considerações que julga desnecessárias.
As opiniões entrechocam-se e, por fim, o sr. Cândido Farinha propôs que a sessão fôsse suspensa, para a Comissão organizadora colher elementos mais concretos sobre o campo, a fim de esclarecer a Assembleia.
Assim, foi a reunião suspensa 'sine die'." ("O Cezimbrense", n.º 1.098, 10.8.1947)

"Em continuação da reunião de 4 do corrente - que havia sido suspensa -, voltou a reunir, no passado dia 6, a Assembleia Geral do União, para tomar conhecimento das demarches efectuadas pela Comissão Organizadora, perante o sr. Rafael Campos Soromenho, sobre o campo do Vitória.
Os srs. Francisco Garcia Regêncio e Cândido Farinha, membros da Comissão esclareceram a Assembleia de que o sr. Soromenho lhes havia dado a sua palavra de honra de que, feita a fusão, o campo seria posto à disposição do novo organismo.
Após estes esclarecimentos, foi votada definitivamente a fusão.
Entraram na urna 78 listas, sendo 74 votos a favor e 4 contra.
Por último, o sr. Américo Polido disse: sendo aquela reunião a última do União Futebol Sesimbra, prestava a sua homenagem ao sr. Adelino José de Cardoso, sócio n.º 1 do club, e o mais antigo desportista sesimbrense, homenagem a que a Assembleia se associou carinhosamente, com uma estrondosa e prolongada salva de palmas.

Magna reunião das massas associativas dos clubs extintos
"Em segunda convocação da Comissão Organizadora, realizou-se, no Salão Recreio Popular, no dia 10 do corrente, uma magna reunião da massa associativa dos três clubs extintos, para apreciar e resolver os assuntos seguintes: nome a dar ao novo organismo, côr da bandeira, equipe e emblema.
Presidiu à reunião o sr. dr. António da Costa Marques, Presidente da Câmara Municipal, ladeado pelos srs. alferes Joaquim Pinto Braz, da Comissão Organizadora; António de Sousa Carvalho, do União; Batista Cristo Amigo, do Vitória; José da Silva Borges, do Ases; Vasco Rocha, do 'Mundo Desportivo'; e João da Luz, representante de 'O Cezimbrense'.
Aberta a sessão usou da palavra o sr. Alferes Joaquim Braz, que, numa elevação de alma, foca a vantagem da fusão a bem do bom nome de Sesimbra e do desporto nacional (...)
Seguindo-se na ordem de trabalhos, foi convidada a Assembleia a manifestar-se sobre qual era a equipe preferida dos 18 modelos apresentados, tendo esta votado, por escrutínio secreto, a seguinte: equipe cor cerize, com gola e punhos brancos e calção banco, por uma maioria de 83 votos.
Depois procedeu-se à votação das cores da bandeira, sendo votada, por grande maioria, as cores cerize e branca, por serem as cores do município.
A votação sobre o emblema deu como resultado preferir-se o que foi apresentado pelo sr. Dr. Manuel Cabrita, que é formado com castelos e brasão do município e pelas armas de Santiago.
Dos 15 nomes sugeridos, foi escolhido por votação o nome 'Sesimbra Praia Desportivo Club, proposto pelo sr. Mário Varandas.
Foi eleita a Comissão Administrativa para gerir os destinos do novo organismo, até 31 de Dezembro de 1947, composta pelos srs. alferes Joaquim Pinto Braz, Francisco Regêncio, Celestino Franco Cheis, Mário Augusto Torres Águas, João Pereira Ramada Crespo, Cândido Chagas Farinha, Pedro da Silva Filipe, Carlos de Sousa Farinha, Pedro da Silva Filipe, Fernando Reis Marques, Carlos Marinheiro Cândido, Rogério Cardim Carvalho e Policarpo Gomes Severo.
Apresentados os balancetes das contas de gerência dos clubs fusionários, passou-se à leitura do novo estatuto, que ficou para continuar a sua apreciação e votação numa próxima reunião." ("O Cezimbrense", n.º 1.099, 17.8.1947)

"O Cezimbrense", n.ºs 1.097, 1.098 e 1.099, de 3.8, 10.8 e 17.8.1947

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